Natal e fim de ano é aquela mesma coisa. Tem vezes que eu não aguento tanta lenga lenga de votos sinceros de ano novo cheio de luz, prosperidade e etc. Por isso eu nunca canso de repassar o texto de Luís Fernando Veríssimo - As Festas.
"Aproxima-se a perigosa época das festas. O Natal e o Ano-Novo, como se sabe, despertam os melhores sentimentos das pessoas, e isto pode ter conseqüências terríveis. São conhecidos os casos de paixão, alguns até terminando em morte, que começaram em festas de fim de ano, na firma, quando o espírito de conciliação e congraçamento leva as pessoas a baixarem a guarda e aceitarem o que normalmente não aceitariam e a fazerem o que, no resto do ano, nem pensariam, ainda mais depois de beberem um pouco. Nada mais embaraçoso do que, no segundo dia do ano novo, ter de tentar desfazer algum equívoco do fim do ano anterior.
- Dona Teresa, eu...
- Pintinho!
- Pinto. Meu nome é Pinto.
- Humm. Como nós estamos mudados, hein? Na festa...
- Era justamente sobre isso que eu queria lhe falar dona Teresa. Na festa. Algumas coisas foram ditas...
- Só ditas não, não é, Pintinho?
- Pinto. Pois é. Ditas e feitas, que...
- Já sei. Vamos fingir que nada aconteceu.
- Eu preferiria.
- Muito bem. Só não sei o que vou dizer ao papai.
- O que que tem o seu pai?
- Ele está vindo de Cachoeiro para o casamento.
Outra coisa perigosa é a pessoa se entusiasmar no fim do ano e decidir mudar. Ser outra pessoa. Deixar velhos vícios e adotar novas atitudes, ou recuperar algumas antigas. Janeiro, ou pelo menos a sua primeira quinzena, é uma espécie de segunda-feira do ano. As ruas ficam cheias de novos virtuosos, pessoas resolvidas a serem melhores do que no ano passado.
- Olhe.
- O que é isso?
- Aquele livro que você me emprestou.
- Eu não me lembro de...
- Faz muito tempo. E, na verdade, você não emprestou. Eu peguei. Eu costumava fazer isso. Nunca mais vou fazer.
- Você pode ficar com o livro. Eu...
- Não! Ajude a me regenerar. Quem fazia essas coisas não era eu. Era outra pessoa. Um crápula. Decidi mudar. Este sou o eu 2010. Comecei devolvendo todos os livros que peguei dos amigos. Acabou com a minha biblioteca, mas que diabo. Me sinto bem fazendo isto. Outra coisa. Precisamos nos ver mais. Eu abandonei os amigos. Abandonei os amigos! Olhe, vou à sua casa este sábado.
- Não. Ahn...
- Prometo não roubar nada.
- Não é isso. É que...
- Já sei. Vamos combinar um jantarzinho lá em casa. A Santa e eu estamos ótimos. Fiz um juramento, na noite de ano bom. Que me regeneraria. E ela me aceitou de volta. Há dois dias que não olho para outra mulher. Dois dias inteiros! Isso era coisa do outro.
- Sim.
- Do crápula.
- Sei...
- Eu era horrível, não era? Diz a verdade. Pode dizer. Uma das coisas que eu resolvi é não bater mais em ninguém. Era ou não era?
- O que é isso?
- Como é que eu podia ser tão horrível, meu Deus?
- Calma. Você está transtornado. Vamos tomar um chopinho.
- Não! Não posso. Jurei que não botaria mais uma gota de álcool na boca.
- Mas um chopinho...
- Está bem. Um. Em honra da nossa amizade recuperada. E escuta...
- O quê?
- Deixa eu ficar com o livro mais uns dias. Ainda não tive tempo de...
- Claro. Toma.
- E vamos ao chope. Lá no alemão, onde tem mais mulher."
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
...Provo Refrigerantes Alternativos - parte 1

Guaraná Jesus
Ou.. Jesus! Que guaraná é esse? Brincadeiras a parte, o guaraná Jesus é o refrigerante mais consumido no Estado do Maranhão. Tive a oportunidade de estar no Maranhão duas vezes: uma vez em São Luís e outra vez em Imperatriz, e lá estava ele: o guaraná Jesus.
Bom, vamos ao refrigerante. De guaraná ele não tem quase nada! É uma bebida cor-de-rosa, com um sabor que parece um tutti-frutti com cravo e canela. Reconheço que é uma fórmula bem original, não há dúvida. O sabor é inconfundível.
Um pouco de história: o refrigerante foi inventado em 1920, pelo farmaceutico Jesus Norberto Gomes (daí o nome) quando tentava sintetizar um remédio que estava em falta na época. História parecida com a invenção da Coca-Cola que deveria ser um xarope. Aliás por falar na Coca-Cola, o refrigerante yankee comprou a marca do guaraná Jesus, uma vez que não conseguiu bater as vendas do agradável refrigerante maranhense.
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